O banco ligou do número do banco — e não era o banco

Golpe da falsa central telefônica do banco
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O telefone toca. No visor aparece o número da sua agência — aquele mesmo que está atrás do seu cartão. Do outro lado, uma pessoa educada, que sabe seu nome completo, avisa que houve uma compra suspeita na sua conta e que precisa da sua ajuda para bloquear.

Tudo parece certo. E é justamente esse o problema.

Como o número do banco aparece no seu visor

Existe uma técnica chamada spoofing que permite mascarar o número de origem de uma ligação. O criminoso escolhe qual número vai aparecer para você — e escolhe o da central do seu banco. A Federação Brasileira de Bancos vem alertando que o golpe da falsa central telefônica ficou mais sofisticado exatamente por causa disso.

Ou seja: o identificador de chamadas deixou de ser prova de coisa alguma. Ele mostra o que a ligação diz ser, não o que ela é.

E como ele sabe o seu nome

Vazamento de dados. Seu nome, CPF e telefone circulam em bases que foram expostas ao longo dos anos. O golpista começa a conversa já sabendo quem você é, e essa familiaridade é o que derruba sua guarda nos primeiros trinta segundos.

Às vezes ele acerta até os quatro últimos dígitos do cartão. Continua não sendo o banco.

A regra que não tem exceção

A Febraban é direta nesse ponto: nenhum funcionário de banco pede senha, pede código, nem pede que você faça uma transferência para resolver um problema na sua conta. Não existe a situação em que o banco precisa que você mande dinheiro para uma “conta segura”. Não existe a situação em que o banco precisa do seu código de seis dígitos.

Também não existe a situação em que o banco pede para você instalar um aplicativo durante a ligação. Se pedir, é golpe — e um golpe bem específico, o do acesso remoto.

O que fazer quando a ligação chegar

Desligue. Não discuta, não peça para confirmar nada, não tente descobrir se é verdade pelo telefone. Desligue e ligue você mesmo para o número que está atrás do seu cartão ou dentro do aplicativo do banco.

Um detalhe que pega muita gente: em alguns aparelhos, se você desligar e ligar em seguida, a chamada anterior pode não ter caído de verdade e você acaba falando com o mesmo criminoso. Espere alguns minutos, ou use outro telefone, ou faça o contato pelo chat do aplicativo.

Quem é o alvo preferido

A Febraban aponta os idosos como alvo prioritário desse golpe. Se você tem pai, mãe ou avó que atende todas as ligações, vale sentar com eles e combinar uma frase só: banco não liga pedindo senha, e toda ligação de banco a gente desliga e retorna. Repetida algumas vezes, essa frase protege mais que qualquer configuração.

Guia completo: Como proteger o celular de golpes

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